{"id":2034,"date":"2019-11-21T18:33:32","date_gmt":"2019-11-21T18:33:32","guid":{"rendered":"http:\/\/cezartridapalli.com.br\/?page_id=2034"},"modified":"2021-02-12T22:26:38","modified_gmt":"2021-02-12T22:26:38","slug":"vertigem-do-chao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?page_id=2034","title":{"rendered":"Vertigem do ch\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?attachment_id=2022\" rel=\"attachment wp-att-2022\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/capa_definitiva_baixa_resolu\u00e7\u00e3o.jpg\" width=\"427\" height=\"640\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><em>Vertigem do ch\u00e3o<\/em><\/h2>\n<h1><strong>Em seu terceiro romance, Cezar Tridapalli abre as feridas de um mundo em ebuli\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h1>\n<h3><em>\u201cVertigem do Ch\u00e3o\u201d toca em temas urgentes como imigra\u00e7\u00e3o, fanatismo, quest\u00f5es de g\u00eanero, corpo e territorialidade.<\/em><\/h3>\n<p>Estar para n\u00e3o estar. Em seu terceiro romance,\u00a0<strong><em>Vertigem do ch\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong>\u2013 que ser\u00e1 lan\u00e7ando no dia 30 de novembro, \u00e0s 16h, na Livraria da Vila \u2013<em>,\u00a0<\/em>o escritor\u00a0<strong>Cezar Tridapalli<\/strong>, vencedor do Pr\u00eamio Minas Gerais com\u00a0<em>O Beijo de Schiller\u00a0<\/em>(2014), narra com sensibilidade e intelig\u00eancia as vidas de dois homens em busca de suas identidades. Com um texto engenhoso e uma narrativa de f\u00f4lego, Tridapalli faz uma verdadeira investiga\u00e7\u00e3o dos males do nosso s\u00e9culo, criando um espelho partido com as esperan\u00e7as e os medos dos protagonistas, o brasileiro Leonel e o holand\u00eas Stefan.<\/p>\n<p>Em um jogo de duplos, Leonel, um bailarino desencantado com a sua arte, abandona Curitiba para viver uma utopia em Utrecht, a mesma cidade que Stefan, um sujeito atl\u00e9tico e na corda bamba moral diante do pensamento conservador do pai, troca pela capital das arauc\u00e1rias ap\u00f3s o namorado ser assassinado por um fan\u00e1tico religioso. Tratando de temas delicados e urgentes \u2013 como a desterritorializa\u00e7\u00e3o, a imigra\u00e7\u00e3o, as quest\u00f5es de g\u00eanero, a incomunicabilidade e o radicalismo \u2013, Tridapalli faz de\u00a0<em>Vertigem do Ch\u00e3o<\/em>\u00a0um retrato certeiro de um momento singular e c\u00ednico da Hist\u00f3ria, em que o negacionismo e o revisionismo tomam a frente no debate.<\/p>\n<p>Longe de ser um romance pol\u00edtico no sentido estrito, os personagens \u2013 diante do abismo pessoal e da ideia de fuga como liberta\u00e7\u00e3o \u2013 representam as contradi\u00e7\u00f5es da natureza humana. Por isso, cabe ao escritor simular uma arena de embates. Para Tridapalli, um dos pap\u00e9is da literatura \u00e9, justamente, apresentar os conflitos que d\u00e3o molde \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre os diferentes, trazer \u00e0 tona fobias e emo\u00e7\u00f5es sem busca did\u00e1tica por respostas certas. \u201cA rigor, n\u00f3s n\u00e3o somos iguais a ningu\u00e9m e essas lutas identit\u00e1rias, que s\u00e3o fundamentais, fazem com que voc\u00ea se una a outra pessoa\u201d, explica, \u201cmas ainda assim, jamais ser\u00e1 id\u00eantico a algu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Nessa abordagem, ousada e bastante original, Cezar Tridapalli faz do livro um di\u00e1logo interessante com grandes obras da literatura contempor\u00e2nea.\u00a0<em>Vertigem do Ch\u00e3o<\/em>\u00a0pode ser comparado a\u00a0<em>S\u00e1bado<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>M\u00e1quinas como eu<\/em>, ambos romances do escritor ingl\u00eas Ian McEwan, em termos de linguagem e condu\u00e7\u00e3o narrativa, mas se assemelha tamb\u00e9m aos pol\u00eamicos\u00a0<em>Plataforma<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Submiss\u00e3o<\/em>, de Michel Houellebecq, o\u00a0<em>enfant terrible<\/em>\u00a0franc\u00eas, pela escolha dos temas e dilacera\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Verdade<\/strong><\/p>\n<p>Se por um lado\u00a0<em>Vertigem do Ch\u00e3o<\/em>\u00a0\u00e9 um olhar amplo, por outro Leonel e Stefan s\u00e3o cronistas das cidades que escolheram. Como\u00a0<em>fl\u00e2neurs\u00a0<\/em>na era da superinforma\u00e7\u00e3o, esquadrinham as ruas com seus computadores e celulares, buscam pontos de contato com aqueles espa\u00e7os urbanos, e com as pessoas que os ocupam, por meio dos bytes e bits em uma Babel cibern\u00e9tica. Ao mesmo tempo, enquanto caminham pela pra\u00e7a Santos Andrade ou pela Domplein, est\u00e3o tateando um terreno movedi\u00e7o, um lugar que, sabem muito bem, n\u00e3o lhes pertence.<\/p>\n<p>E, portanto, n\u00e3o existe verdade em\u00a0<em>Vertigem do Ch\u00e3o<\/em>. Ao menos, n\u00e3o como um vidro blindado, imposs\u00edvel de ser quebrado. Segundo Tridapalli, o livro discute a ideia de individualidade, de certeza absoluta e da dificuldade de entender o interesse coletivo. \u201cN\u00f3s somos a medida de todas as coisas\u201d, avalia o escritor e afirma: \u201c\u00e9 essa propens\u00e3o de nos colocarmos como se sempre estivesse claro o que \u00e9 verdade, do mesmo modo que est\u00e1 claro para o outro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fot\u00f3grafo<\/strong><\/p>\n<p>Desde o seu primeiro livro,\u00a0<em>Pequena Biografia de Desejos\u00a0<\/em>(2011), Cezar Tridapalli \u00e9 um fot\u00f3grafo sem c\u00e2mera. Como o personagem de outro curitibano, Cristov\u00e3o Tezza \u2013 este por ado\u00e7\u00e3o, \u00e9 verdade \u2013, ou ainda, como os protagonistas de\u00a0<em>Janela Indiscreta<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Blow Up<\/em>, Leonel e Stefan observam e registram o mundo ao seu redor \u2013 mesmo que metaforicamente. \u00c9 nessas imagens, e em suas amplia\u00e7\u00f5es, que Curitiba e Utrecht ganham cor e forma, detalhes e min\u00facias, revelando seus pecadilhos e suas virtudes.<\/p>\n<p>Parte dessa dimens\u00e3o pl\u00e1stica \u00e9 o resultado da fabulosa constru\u00e7\u00e3o narrativa do escritor que, em uma mesma frase, espelha as duas cidades. \u00c9 um trabalho de ourives: uma t\u00e9cnica de lapida\u00e7\u00e3o da linguagem e de dom\u00ednio da escrita.\u00a0<em>Vertigem do Ch\u00e3o<\/em>, sem sombra de d\u00favidas, consolida Cezar Tridapalli como uma das grandes vozes da literatura brasileira contempor\u00e2nea, capaz de dar um novo impulso para a vertigem em c\u00e2mera lenta.<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor<\/strong><\/p>\n<p>Cezar Tridapalli nasceu em Curitiba, em 1974. \u00c9 escritor, professor e tradutor. Graduado em Letras e mestre em Estudo Liter\u00e1rios pela Universidade Federal do Paran\u00e1, publicou\u00a0<em>Pequena Biografia de Desejos<\/em>\u00a0(7letras, 2011) e\u00a0<em>O Beijo de Schiller\u00a0<\/em>(Arte &amp; Letra, 2014), livro vencedor do Pr\u00eamio Minas Gerais de Literatura. Escreve, semanalmente, cr\u00f4nicas para o jornal\u00a0<em>Plural<\/em>\u00a0e faz estudos de forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise. \u00c9 produtor executivo do festival liter\u00e1rio Litercultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Booktrailer:<\/p>\n<figure class=\"video_frame\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CaOMJ1xIRFg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Vertigem do ch\u00e3o Em seu terceiro romance, Cezar Tridapalli abre as feridas de um mundo em ebuli\u00e7\u00e3o \u201cVertigem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2034"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2034"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2177,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2034\/revisions\/2177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}