{"id":1755,"date":"2017-01-11T17:54:42","date_gmt":"2017-01-11T17:54:42","guid":{"rendered":"http:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=1755"},"modified":"2023-02-19T02:36:24","modified_gmt":"2023-02-19T02:36:24","slug":"conversa-com-ana-paula-maia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=1755","title":{"rendered":"Conversa com Ana Paula Maia"},"content":{"rendered":"<p>No encerramento\u00a0da segunda turma da Oficina de romances na ESC &#8211; Escola de Escrita, em Curitiba, conversei com a romancista e roteirista Ana Paula Maia. A conversa aconteceu em 13\/12\/2016.<\/p>\n<p>Abaixo, coloco minhas perguntas que deram origem \u00e0 conversa, que prosseguiu com quest\u00f5es do p\u00fablico:<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<div class=\"figure aligncenter\" style=\"width:341px;\"><a href=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Ana-Paula-Maia.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Clique de Cristina Bresser\" title=\"Clique de Cristina Bresser\" src=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Ana-Paula-Maia.jpg\" alt=\"ana-paula-maia\" width=\"341\" height=\"341\" \/><\/a><div>Clique de Cristina Bresser<\/div><\/div>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><strong>Ana Paula Maia<\/strong> \u00e9 nascida no Rio de Janeiro, autora de 6 livros, 5 publicados e um previsto para 2017. Os 5 s\u00e3o <em>O habitante das falhas subterr\u00e2neas<\/em> (de 2003), <em>A guerra dos bastardos<\/em> (de 2007), <em>Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos<\/em> (duas novelas, uma com esse t\u00edtulo e outra chamada <em>O trabalho sujo dos outros<\/em>) (de 2009), <em>Carv\u00e3o animal <\/em>(de 2011), e <em>De gados e homens<\/em> (de 2013). Tamb\u00e9m \u00e9 roteirista e teve o primeira-longa lan\u00e7ado recentemente, <em>Deserto<\/em>, com a dire\u00e7\u00e3o do Guilherme Weber, em setembro, outubro.<\/p>\n<p>&#8211; O in\u00edcio: para escrever \u00e9 preciso uma vis\u00e3o minimamente diferente da realidade, do jeito de ver o mundo e a vida, \u00e2ngulos insuspeitos. E tem tamb\u00e9m o contato com a linguagem liter\u00e1ria, onde o mundo aparece decantado por esse filtro poderoso da fic\u00e7\u00e3o (n\u00e3o conhe\u00e7o escritor que n\u00e3o seja leitor). Entonces, voc\u00ea podia come\u00e7ar falando disso, da tua forma de ver o mundo sem media\u00e7\u00e3o (a observa\u00e7\u00e3o direta) e tamb\u00e9m do teu modo de ler literatura (observa\u00e7\u00e3o indireta do mundo), o que voc\u00ea leu e l\u00ea.<\/p>\n<p>&#8211; Acreditamos que a literatura seja uma\u00a0possibilidade de pensar a exist\u00eancia, o tal lugar no mundo. Curioso como voc\u00ea faz o leitor pensar nisso por meio de personagens que est\u00e3o muito longe de pensar sobre isso.<\/p>\n<p>&#8211; Ian McEwan, em <em>S\u00e1bado<\/em>, descreve um neurocirurgi\u00e3o. Naturalmente ele pesquisa, mas nunca vai saber tanto quanto um neurocirurgi\u00e3o. No entanto, ele cria um personagem que convence, que d\u00e1 a impress\u00e3o de que \u00e9 realmente um neurocirurgi\u00e3o. Profiss\u00f5es diferentes obscuras\/escuras (bombeiro, cremador, trabalhador minas de carv\u00e3o, atordoador etc) aparecem constantemente nos teus livros (eu diria at\u00e9 &#8220;exclusivamente&#8221;). No seu caso, <strong>qual a medida entre a pesquisa e a imagina\u00e7\u00e3o<\/strong> para criar personagens que precisam ser convincentes?<\/p>\n<p>&#8211; Duas cenas muito boas: arrancar os dentes de ouro de um defunto (<em>Carv\u00e3o animal<\/em>), e, com o olho direito, ver um abutre comer seu olho esquerdo (<em>De gado e homens<\/em>).\u00a0H\u00e1 tamb\u00e9m um ins\u00f3lito abatedor abatedor de renas que vem da Finl\u00e2ndia. Essas imagens v\u00eam na hora?<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea tem a p\u00e1gina em branco na tua frente, vai come\u00e7ar a escrever. O que voc\u00ea j\u00e1 tem projetado antes desse momento?<\/p>\n<p>&#8211; Sobre os olhos: Em <em>De gado e homens<\/em>, o olhar parece ser uma presen\u00e7a forte: Burunga e as apneias para os olhos deficientes da filha; os \u00f3culos de esqui de Santiago e desejados por Edgar Wilson, a \u00f3rbita esquerda vazada do Bronco Gil, os olhos bovinos. Ex. P. 62 (ler), ou Bronco Gil, quando diz &#8220;meu olho caiu, a porra do meu olho caiu&#8221;. (P. 64).<\/p>\n<p>&#8211; Gostaria que voc\u00ea comentasse: Em <em>Carv\u00e3o animal,<\/em>\u00a0o fogo \u00e9 um espet\u00e1culo de destrui\u00e7\u00e3o que enfeiti\u00e7a. Se \u00e9 verdade que h\u00e1 muito fasc\u00ednio pelo belo, pelo finais felizes, \u00e9 verdade que tamb\u00e9m h\u00e1 fasc\u00ednio causado pelo m\u00f3rbido, pela destrui\u00e7\u00e3o, pela morte e seus requintes de aniquilamento do corpo. Bombeiro, cremador, trabalhador de minas de carv\u00e3o, o ac\u00famulo de corpos no cremat\u00f3rio e a necessidade de queim\u00e1-los usando as fornalhas das minas etc.<\/p>\n<p>&#8211; Nomes dos personagens. Como eles v\u00eam \u00e0 tua cabe\u00e7a?<\/p>\n<p>&#8211; A partir da minha experi\u00eancia nas oficinas de romance: vejo projetos interessant\u00edssimos, em nada ficam abaixo de livros j\u00e1 publicados. Mas talvez esbarrem em quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o pura e simples, de dedica\u00e7\u00e3o de tempo. Voc\u00ea escreve todo dia, ou pelo menos quase todos os dias? Fale sobre a obstina\u00e7\u00e3o de levar um projeto at\u00e9 o final.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sei se meu senso de humor \u00e9 meio corrompido, mas eu entrevejo nos teus livros um\u00a0certo humor no meio da desgraceira. Voc\u00ea concorda?<\/p>\n<p>&#8211; Quero um coment\u00e1rio teu a respeito: gosto das digress\u00f5es e filosofadas propostas por grandes narradores. Nos teus livros, achei impressionante a quantidade m\u00ednima de digress\u00f5es e, em vez disso, o apego aos fatos, \u00e0 a\u00e7\u00e3o, \u00e0s coisas que acontecem, mas que conseguem provocar as digress\u00f5es no leitor. Talvez essa caracter\u00edstica tenha te ajudado a ir para o cinema, para escrever roteiros, n\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No encerramento\u00a0da segunda turma da Oficina de romances na ESC &#8211; Escola de Escrita, em Curitiba, conversei com a romancista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[61,24],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1755"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1755"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1755\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2632,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1755\/revisions\/2632"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}