{"id":1793,"date":"2017-05-02T19:55:56","date_gmt":"2017-05-02T19:55:56","guid":{"rendered":"http:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=1793"},"modified":"2023-02-19T02:34:49","modified_gmt":"2023-02-19T02:34:49","slug":"conferencia-na-franca-e-publicada-no-jornal-rascunho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=1793","title":{"rendered":"Confer\u00eancia na Fran\u00e7a \u00e9 publicada no Jornal Rascunho"},"content":{"rendered":"<p>Em novembro de 2016, conforme <a href=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=1739\">divulgado aqui<\/a>, participei de um encontro de artes em Montpellier, no sul da Fran\u00e7a. Na ocasi\u00e3o, realizei uma confer\u00eancia cujo tema,\u00a0<em>Cr\u00e9er pourquoi?\u00a0<\/em>(&#8220;Criar por qu\u00ea?&#8221;), gerou uma discuss\u00e3o rica em possibilidades de resposta. A confer\u00eancia aconteceu dentro da programa\u00e7\u00e3o do evento\u00a0<em>5 jours + 5 nuits \u2013 L\u2019exp\u00e9rience artistique<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;Criar por qu\u00ea?&#8221; foi ent\u00e3o transformado em um pequeno ensaio, agora publicado no <a href=\"http:\/\/rascunho.com.br\">jornal liter\u00e1rio Rascunho<\/a>. Voc\u00ea pode conferir o texto integralmente no site do jornal <a href=\"http:\/\/rascunho.com.br\/por-que-criar\/\">clicando aqui<\/a>. Abaixo, segue \u00a0reproduzido:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><span class=\"breadcrumb\"><a title=\"abril 2017\" href=\"http:\/\/rascunho.com.br\/2017\/04\/\">abril 2017<\/a>\u00a0\/\u00a0<a title=\"Ensaios e Resenhas\" href=\"http:\/\/rascunho.com.br\/category\/ensaios-e-resenhas\/\">Ensaios e Resenhas<\/a>\u00a0\/ Por que criar?\u00a0<\/span><\/strong><\/h4>\n<div class=\"header-content-block\">\n<div class=\"header-content-main\">\n<p><strong>Texto publicado na edi\u00e7\u00e3o\u00a0#204<\/strong><\/p>\n<h2 class=\"publish-title\" style=\"text-align: left;\">Por que criar?<\/h2>\n<h4 class=\"publish-subtitle\" style=\"text-align: left;\">O desejo de tentar dar mais pot\u00eancia \u00e0 vida nos leva a criar coisas, materiais e imateriais<\/h4>\n<h4 class=\"author\" style=\"text-align: left;\">&gt;\u00a0<strong>Por\u00a0<a title=\"CEZAR TRIDAPALLI\" href=\"http:\/\/rascunho.com.br\/autor\/cezar-tridapalli\/\">CEZAR TRIDAPALLI<\/a><\/strong><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pf-content\">\n<div id=\"attachment_26512\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<div class=\"figure aligncenter\" style=\"width:624px;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/rascunho.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Por_que_criar_ilustra_De_Almeida_204.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rel=\"lightbox-0\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0D\u00ea Almeida wp-image-26512 size-full\" title=\"Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0D\u00ea Almeida\" src=\"http:\/\/rascunho.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Por_que_criar_ilustra_De_Almeida_204.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o: D\u00ea Almeida\" width=\"624\" height=\"439\" \/><\/a><div>Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0D\u00ea Almeida<\/div><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\n<\/div>\n<p>Quando me perguntaram o que eu achava de participar de uma conversa sobre o tema \u201cpor que criar?\u201d, a primeira coisa que me veio \u00e0 mente foi o in\u00edcio do filme\u00a0<em>2001, uma odisseia no espa\u00e7o<\/em>: os primeiros\u00a0<em>Homo habilis<\/em>\u00a0come\u00e7ando a criar utens\u00edlios. Subitamente, depois de se agredirem, um deles joga um osso para o alto e, em c\u00e2mara lenta, o osso se transforma em uma esp\u00e9cie de sonda espacial.<\/p>\n<p>Se Stanley Kubrick n\u00e3o nos diz\u00a0<em>por que<\/em>\u00a0criar, ele nos mostra ao menos que n\u00f3s criamos. Ele nos lembra que n\u00f3s criamos. A fra\u00e7\u00e3o de tempo entre o osso que sobe e a sonda espacial que flutua no espa\u00e7o representa alguns poucos milh\u00f5es de anos, e nesse piscar de olhos, nesse entretempo, a humanidade vai tramar algumas coisinhas interessantes: se eu, fraco que sou, n\u00e3o consigo matar um mamute, se eu, com fome, n\u00e3o consigo enfrentar um bis\u00e3o usando apenas as m\u00e3os, o que \u00e9 que eu posso fazer? Eu melhoro o potencial das m\u00e3os, eu crio uma lan\u00e7a. E se na ponta dessa lan\u00e7a eu fixo uma pedra pontuda, eu tenho uma arma ainda mais eficaz. E se as coisas s\u00e3o pesadas e desajeitadas para carregar, cria-se a roda, e se \u00e9 preciso atravessar o mar, cria-se um barco. E se devemos ir mais r\u00e1pido, criamos um carro, um avi\u00e3o. E, enfim, a sonda espacial, se quisermos voltar ao exemplo do filme\u00a0<em>2001<\/em>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu me pergunto, e vos pergunto: se, no lugar de um homin\u00eddeo, fosse outro o animal a jogar o osso? Um lobo, uma vaca, um p\u00e1ssaro. Esse osso arremessado ao c\u00e9u \u2014 apenas hipoteticamente \u2014 se tornaria em que milh\u00f5es de anos mais tarde? Nada mais que o mesmo osso. Podemos dizer aqui que a gente fala do desenvolvimento da cultura humana. Somos capazes de conhecer e, mais que isso, de tecer diferentes conhecimentos para criar. A besta-fera \u00e9 muito mais forte do que eu, ela tem a for\u00e7a, os dentes afiados; eu, eu sou fraco. Mas ao longo dos anos, eu apare\u00e7o com uma lan\u00e7a, depois com um fuzil de ca\u00e7a, abatedouros e pistolas pneum\u00e1ticas, etc., e as bestas continuam as mesmas, valendo-se de seus corpos, nada mais. Eu falei de pistolas pneum\u00e1ticas e poderia falar de outras maneiras de abater animais atualmente para concluir, sem dificuldade, que\u00a0<em>criar<\/em>n\u00e3o significa criar somente coisas boas para todos. Afinal, criamos tamb\u00e9m muita estupidez. No in\u00edcio do meu segundo romance,\u00a0O beijo de Schiller, o personagem Em\u00edlio Meister brinca:<\/p>\n<p><em>Os humanos s\u00e3o mais inteligentes do que os outros animais. Por\u00e9m, mais est\u00fapidos tamb\u00e9m. Ao criar o navio, o homem inventou o naufr\u00e1gio. Do mesmo modo, com a intelig\u00eancia, trouxe a mediocridade e a parvo\u00edce. Exclusividades da esp\u00e9cie.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>muito curioso que em franc\u00eas n\u00f3s tenhamos um jogo de palavras como esse:\u00a0<em>na\u00eetre<\/em>\u00a0(nascer) e\u00a0<em>conna\u00eetre<\/em>\u00a0(conhecer). As duas palavras t\u00eam origens diferentes, mas podemos ser seduzidos a dizer que cada vez que inventamos alguma coisa nascemos com ela, mais ou menos como Her\u00e1clito j\u00e1 avisava. Nenhuma grande cria\u00e7\u00e3o vai nos deixar impass\u00edveis, toda grande cria\u00e7\u00e3o recombina aquilo que fomos. Por isso nascemos quando conhecemos.<\/p>\n<p>Muitos utens\u00edlios s\u00e3o extens\u00f5es do nosso corpo (a lan\u00e7a, a roda, o microsc\u00f3pio e a luneta, o martelo, o pincel\u2026). H\u00e1 o substantivo\u00a0<em>utens\u00edlio<\/em>, que \u00e9 parente do adjetivo\u00a0<em>\u00fatil<\/em>. Assim, a lan\u00e7a, por exemplo, \u00e9 um utens\u00edlio \u00fatil, o mesmo se d\u00e1 com a roda, o microsc\u00f3pio e a luneta, o martelo, o pincel.<\/p>\n<p>Peguemos esse \u00faltimo exemplo, o pincel. \u00c9 ele uma extens\u00e3o de nosso corpo? Certamente, das nossas m\u00e3os e bra\u00e7os. Mas aquilo que fez o pincel de Caravaggio, de Matisse, de Portinari n\u00e3o \u00e9 mais uma simples extens\u00e3o de seus corpos. Portanto, n\u00e3o criamos utens\u00edlios apenas para fazer coisas \u00fateis ou, melhor, para aumentar o potencial de nosso corpo f\u00edsico, mas tamb\u00e9m para mostrar e amplificar no mundo externo aquilo que se passa no mundo interno.<\/p>\n<p>Assim chegamos, creio eu, ao territ\u00f3rio da arte, \u00e0 extens\u00e3o do imagin\u00e1rio. A arte \u00e9 uma esp\u00e9cie de costura entre a subjetividade (que implica a exist\u00eancia de um sujeito) e a objetividade (que implica a exist\u00eancia de um objeto: um livro, uma tela, um filme, o pr\u00f3prio corpo). Nessa tal costura, linhas e tecidos se tornam indistintos, tudo \u00e9 texto e textura, linha e entrelinha.<\/p>\n<p>Antenas subjetivas<br \/>\nSe falamos de subjetividade e objetividade, talvez n\u00e3o seja um abuso tomar emprestado do arquiteto e fil\u00f3sofo franc\u00eas Paul Virilio o conceito de trajetividade e aplicar essa ideia de trajeto \u00e0 arte, a essa liga\u00e7\u00e3o entre o sujeito e o objeto que, no fim das contas, caracteriza nossa experi\u00eancia de mundo. Trajeto de m\u00e3os duplas. Se h\u00e1 um objeto\u00a0<em>fruto<\/em>\u00a0do fazer art\u00edstico, tamb\u00e9m h\u00e1 um mundo objetivo\u00a0<em>a priori<\/em>, sempre filtrado por antenas subjetivas.<\/p>\n<p>Acabamos falando do\u00a0<em>Homo habilis<\/em>, capaz de fazer coisas concretas, mas podemos pensar tamb\u00e9m no\u00a0<em>Homo ludens<\/em>. Foi o pensador holand\u00eas Johan Huizinga quem disse que, ap\u00f3s o\u00a0<em>Homo faber<\/em>\u00a0e talvez no mesmo n\u00edvel do\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>, a express\u00e3o\u00a0<em>Homo ludens<\/em>\u00a0merece um lugar nessas nomenclaturas. A rela\u00e7\u00e3o quase insepar\u00e1vel entre a imagina\u00e7\u00e3o l\u00fadica e a cria\u00e7\u00e3o objetiva tem muito a nos dizer sobre a pergunta: por que criar?<\/p>\n<p>\u00c9 a essa quest\u00e3o central que podemos voltar. N\u00e3o parece dif\u00edcil responder por que criamos coisas \u00fateis como uma roda, uma lan\u00e7a, uma luneta. Mas por que criamos a arte \u00e9 uma pergunta um pouco mais complexa. H\u00e1 os utens\u00edlios que utilizamos para fazer arte. Mas isso que produzimos com os utens\u00edlios (a literatura, a dan\u00e7a, a pintura) \u00e9 \u00fatil? Serve para alguma coisa? T\u00e3o simples saber para que serve um martelo. Mas para que serve uma sinfonia? Por que escrevemos fic\u00e7\u00e3o, poesia?<\/p>\n<blockquote>\n<h2>Na literatura, como na arte de modo geral, criamos para tentar dar mais pot\u00eancia \u00e0 vida e amplific\u00e1-la, testar limites dessa vida que \u00e9 pequena, que n\u00e3o consegue comportar todas as nossas vontades.<\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>A arte existe porque a vida n\u00e3o basta. Essa afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 minha, infelizmente, ela foi dita por um grande poeta brasileiro, Ferreira Gullar. Quer dizer: n\u00e3o h\u00e1\u00a0<em>script<\/em>\u00a0finalizado para a vida antes que a vida aconte\u00e7a. A vida n\u00e3o \u00e9\u00a0<em>pr\u00eat-\u00e0-porter<\/em>. \u00c9 algo que a gente inventa, mesmo quem n\u00e3o dan\u00e7a, n\u00e3o escreve, n\u00e3o l\u00ea. Quando nos projetamos no futuro (que pode ser o que eu vou comer depois de terminar aqui, ou o que eu farei da minha vida, ou como ser\u00e1 o futuro do mundo), procuramos, um pouco no escuro, uma dire\u00e7\u00e3o. Projetar significa lan\u00e7ar para a frente (o\u00a0<em>jeter<\/em>\u00a0franc\u00eas), para o devir, para um territ\u00f3rio que n\u00e3o existe ainda. Ou seja, fazemos isso o tempo todo. Os outros animais nascem quase completos e est\u00e3o programados para assumir suas fun\u00e7\u00f5es de animais. N\u00f3s tamb\u00e9m, de certa forma, mas o buraco \u00e9 mais embaixo. Somos, para o bem e para o mal, um pouco diferentes, e ficamos criando respostas para perguntas do tipo\u00a0<em>quem somos n\u00f3s<\/em>,\u00a0<em>de onde viemos<\/em>,\u00a0<em>para onde vamos<\/em>,\u00a0<em>por que criar<\/em>.<\/p>\n<p>Mario Vargas Llosa diz algo que pode nos ajudar (o livro se chama \u2014 aten\u00e7\u00e3o para o t\u00edtulo \u2014\u00a0A verdade das mentiras). Diz ele: \u201cSonho l\u00facido, fantasia encarnada, a fic\u00e7\u00e3o nos completa, seres mutilados a quem foi imposta a atroz dicotomia de ter uma s\u00f3 vida e ao mesmo tempo os apetites e as fantasias de desejar milhares de outras\u201d.<\/p>\n<p>A linguagem e a cultura nos jogam no plano do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Se temos o desejo de viver mais que uma vida (j\u00e1 que na vida real a cada escolha que fazemos, precisamos desistir de muitas outras), o que a gente faz para alargar a exist\u00eancia, para sair, ao menos simbolicamente, da camisa de for\u00e7a onde nos encontramos fatalmente presos? H\u00e1 outras possibilidades al\u00e9m da arte, claro. A religi\u00e3o, por exemplo, busca uma outra vida no fim dessa vida, no al\u00e9m (\u00e9 uma promessa tentadora). Mas h\u00e1 tamb\u00e9m a arte, que, ali\u00e1s, tanto j\u00e1 se encontrou no passado com a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso, por causa desse nosso desejo de viver mais que a vida presente, que a gente\u00a0<em>re<\/em>presenta, que a gente n\u00e3o apenas descobre coisas, mas cria coisas, materiais e imateriais. H\u00e1 uma boa diferen\u00e7a entre descobrir e criar. Nesse caso, poder\u00edamos nos lembrar dos conceitos de dedu\u00e7\u00e3o, indu\u00e7\u00e3o e abdu\u00e7\u00e3o, presentes em Arist\u00f3teles e depois em Charles Peirce, mas creio que isso estenderia demais a conversa. \u00c9 suficiente dizer que podemos ser\u00a0<em>criativos<\/em>, isto \u00e9, pegar experi\u00eancias que nos atravessaram (curiosamente \u201cexperi\u00eancia\u201d se aproxima etimologicamente de travessia, perigo, pirata) e criar liga\u00e7\u00f5es inesperadas, liga\u00e7\u00f5es perigosas. A criatividade consiste em criar novas conex\u00f5es com os utens\u00edlios imateriais dos quais dispomos, os quais colecionamos e colocamos em dialogismo.<\/p>\n<p>Na literatura, como na arte de modo geral, criamos para tentar dar mais pot\u00eancia \u00e0 vida e amplific\u00e1-la, testar limites dessa vida que \u00e9 pequena, que n\u00e3o consegue comportar todas as nossas vontades. Somos muito pequenos, pequenos demais, miseravelmente pequenos, mas ainda assim maiores do que o modelinho comer, reproduzir-se, defender a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"post-box\">\n<p>NOTA<br \/>\nEste ensaio \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia\u00a0<em>Cr\u00e9er, pourquoi?<\/em>, apresentada em novembro de 2016 na\u00a0<em>Maison pour tous Voltaire<\/em>, em Montpellier, Fran\u00e7a, no evento\u00a0<em>5 jour + 5 nuits \u2013 l\u2019exp\u00e9rience esth\u00e9tique<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"side_content\"><\/div>\n<div class=\"post-assinatura\">\n<div class=\"separador\"><\/div>\n<div class=\"post-author\">\n<div class=\"post-author-img\"><\/div>\n<div class=\"post-author-content\">\n<h4 class=\"author\">CEZAR TRIDAPALLI<\/h4>\n<p>Nasceu em Curitiba, em 1974. Em 2011, lan\u00e7ou seu primeiro romance,\u00a0Pequena biografia de desejos\u00a0(7Letras). Em 2013, venceu o Pr\u00eamio Governo de Minas Gerais de Literatura, com o romance\u00a0O beijo de Schiller, a ser publicado pela Arte &amp; Letra em 2014.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro de 2016, conforme divulgado aqui, participei de um encontro de artes em Montpellier, no sul da Fran\u00e7a. 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