{"id":1909,"date":"2018-09-04T15:14:55","date_gmt":"2018-09-04T15:14:55","guid":{"rendered":"http:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=1909"},"modified":"2023-02-19T02:42:25","modified_gmt":"2023-02-19T02:42:25","slug":"como-escreve-cezar-tridapalli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=1909","title":{"rendered":"Como escreve Cezar Tridapalli"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<p class=\"entry-title\">O site <span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"http:\/\/www.comoeuescrevo.com\">comoeuescrevo.com<\/a><\/span>, do doutorando em Direito pela UnB Jos\u00e9 Nunes, convida escritores das \u00e1reas acad\u00eamica e liter\u00e1ria para compartilhar seu processo de escrita, da idealiza\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o &#8211; embora n\u00e3o seja assim uma linha reta, as duas coisas andam engalfinhadas, se amando e se batendo. &#8220;Eu criei o &#8216;como eu escrevo&#8217; pensando nas pessoas que sofrem para escrever. Saber como escrevem as pessoas que admiramos nos inspira a refletir sobre o nosso pr\u00f3prio processo criativo. Minha esperan\u00e7a \u00e9 que o projeto ajude a fazer da academia (e da literatura) um lugar melhor&#8221;, diz Nunes.<\/p>\n<\/header>\n<p>Foi com ele que conversei, falando um pouco sobre como as coisas funcionam (\u00e0s vezes bem, \u00e0s vezes nem tanto). A entrevista foi originalmente publicada aqui:<\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/cezar-tridapalli\/\">https:\/\/comoeuescrevo.com\/cezar-tridapalli\/<\/a><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>E pode ser lida abaixo:<\/p>\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\">Como escreve Cezar Tridapalli<\/h1>\n<p class=\"entry-meta\"><time class=\"entry-time\" datetime=\"2018-09-04T09:49:47+00:00\">4 de setembro de 2018<\/time>&nbsp;by&nbsp;<span class=\"entry-author\" style=\"color: #000080;\"><a class=\"entry-author-link\" style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/author\/nunes\/\" rel=\"author\"><span class=\"entry-author-name\">Jos\u00e9 Nunes<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Cezar Tridapalli \u00e9 escritor, autor de&nbsp;<em>Pequena biografia de desejos&nbsp;<\/em>&nbsp;(7Letras, 2011) e&nbsp;<em>O beijo de Schiller<\/em>&nbsp;(Arte&amp;Letra, 2014).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4125 alignleft\" src=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli.jpg 600w, https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-225x300.jpg 225w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"800\"><strong>Como voc\u00ea come\u00e7a o seu dia? Voc\u00ea tem uma rotina matinal?<\/strong><\/p>\n<p>Fui trabalhador assalariado at\u00e9 2015, o que demandava ter uma cabe\u00e7a ainda mais dividida entre as coisas da literatura, da vida pr\u00e1tica, do trabalho que tinha pouco a ver com cria\u00e7\u00e3o (apesar de eu coordenar um setor criativo, para mim ficavam as broncas burocr\u00e1ticas). Esse meu trabalho era sempre pela manh\u00e3. Ent\u00e3o meus dois livros publicados foram escritos sobretudo no per\u00edodo da tarde, embora eu renda mais no in\u00edcio do dia (foi-se o tempo em que eu escrevia \u00e0 noite, at\u00e9 a madrugada). Vivi a escrita de mais dois romances, ainda in\u00e9ditos, depois de 2015, quando pedi demiss\u00e3o e entrei em outra rotina. Mesmo assim, minhas manh\u00e3s s\u00e3o muito dedicadas a estar com os filhos (uma menina de 7 e um menino de 3 anos), o que, a prop\u00f3sito, tem suas semelhan\u00e7as com o processo liter\u00e1rio: \u00e9 cansativo, algumas vezes desanimador, mas rende um prazer consistente. Os filhos ainda d\u00e3o um prazer extra, o das boas risadas. \u00c0 tarde, com os pequenos na escola, eu me dedico \u00e0 escrita, me espremo nas tr\u00eas ou quatro horas que tenho para ficar sozinho. Algumas noites ainda dou oficinas de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, o que tamb\u00e9m demanda tempo de prepara\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o de materiais e tal. Quando n\u00e3o estou empenhado na escrita de um romance, n\u00e3o sou um escritor que escreve todos os dias. No entanto, quando estou, a\u00ed sim, escrevo sempre, e de tarde. \u00c9 muito ruim, nesse per\u00edodo, pular dias. J\u00e1 tive a experi\u00eancia de parar por longo tempo em meio \u00e0 escrita de um romance. Recolocar a narrativa nos trilhos \u00e9 muito dif\u00edcil, chato. O ideal \u00e9 reler boa parte do que escrevi, a fim de retomar a tal da dic\u00e7\u00e3o do texto, imprescind\u00edvel para que n\u00e3o vire um Frankenstein e d\u00ea ainda mais trabalho nas revis\u00f5es, que j\u00e1 ser\u00e3o muitas. De tempos em tempos, me refugio, saio da cidade para escrever de modo mais intenso.<\/p>\n<p><strong>Em que hora do dia voc\u00ea sente que trabalha melhor? Voc\u00ea tem algum ritual de prepara\u00e7\u00e3o para a escrita?<\/strong><\/p>\n<p>Como disse, trabalho melhor pela manh\u00e3, mas s\u00f3 escrevo \u00e0 tarde. Tenho alguns rituais bobos no momento de planejar uma obra. Planejo-a com cuidado, re\u00fano anota\u00e7\u00f5es esparsas, sem liga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre elas, usando o Google Keep, um aplicativo do Google que nada mais \u00e9 do que um bloco de notas que fica na nuvem. Assim, qualquer anota\u00e7\u00e3o feita no celular, por exemplo, j\u00e1 estar\u00e1 em meu computador quando precisar us\u00e1-las. Quando come\u00e7o a planejar um romance, reservo essas anota\u00e7\u00f5es e fa\u00e7o uma planta baixa, com l\u00e1pis, borracha e uma cartolina (o ritual bobo \u00e9 sempre comprar esse material novinho). Nessa planta baixa, conto para mim mesmo a hist\u00f3ria do livro que ainda n\u00e3o existe. \u00c9 um resumo do livro antes de o livro existir. A\u00ed pego as anota\u00e7\u00f5es esparsas e as distribuo ao longo desse resumo, avaliando onde podem ser encaixadas. \u00c9 um processo minucioso de arquitetura da subjetividade. Por mais que eu fale em planta baixa e arquitetura, o planejamento ainda assim tem toda a liberdade de, no processo da escrita propriamente dito, sofrer altera\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes um personagem previsto no projeto n\u00e3o rende tanto; ou, ao contr\u00e1rio, outro personagem cresce. \u00c9 um grande jogo entre planejamento e improvisa\u00e7\u00e3o, entre uma estrutura a priori e a novidade que surge quando os dedos est\u00e3o martelando o teclado.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea escreve um pouco todos os dias ou em per\u00edodos concentrados? Voc\u00ea tem uma meta de escrita di\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>Posso dizer que as duas coisas: escrevo todos os dias em per\u00edodos concentrados, ou melhor, quando estou em processo de escrita, escrevo todos os dias. Gosto de tentar duas a tr\u00eas laudas por per\u00edodo de trabalho, mas n\u00e3o me sinto mal se n\u00e3o atinjo isso, assim como n\u00e3o fico euf\u00f3rico quando consigo ir al\u00e9m. Ali\u00e1s, \u00e9 sempre bom desconfiar quando a escrita sai f\u00e1cil demais, pode ter havido a\u00ed um empr\u00e9stimo inconsciente de frases-feitas, sem marca de autoria.<\/p>\n<h5 id=\"attachment_4126\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 444px;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4126 size-full\" src=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-mapa-antes-do-territo%CC%81rio.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-mapa-antes-do-territo?rio.jpg 600w, https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-mapa-antes-do-territo?rio-300x225.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\"><strong><a href=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?attachment_id=1915\" rel=\"attachment wp-att-1915\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/IMG_4758.jpg\" width=\"434\" height=\"325\"><\/a>O mapa antes do territ\u00f3rio (resumo e anota\u00e7\u00f5es esparsas)<\/strong><\/h5>\n<p><strong>Como \u00e9 o seu processo de escrita? Uma vez que voc\u00ea compilou notas suficientes, \u00e9 dif\u00edcil come\u00e7ar? Como voc\u00ea se move da pesquisa para a escrita?<\/strong><\/p>\n<p>Meus dois primeiros romances tratavam de quest\u00f5es individuais, seus personagens eram sujeitos urbanos e seus conflitos giravam em um raio mais curto, de \u00e2mbito familiar, e em uma cidade que eu conhe\u00e7o bem, a minha cidade, Curitiba. S\u00e3o poucas incurs\u00f5es fora desse espa\u00e7o (um pouco de It\u00e1lia em&nbsp;<em>Pequena biografia de desejos<\/em>&nbsp;e um pouco de Fran\u00e7a e Alemanha em&nbsp;<em>O beijo de Schiller<\/em>, mas todos lugares que eu j\u00e1 conhecia e aparecem de forma apenas tangencial nas obras). Isso gerou um pouco menos de pesquisa, ou pelo menos uma pesquisa mais simples. J\u00e1 meu terceiro romance, o ainda in\u00e9dito&nbsp;<em>Vertigem do ch\u00e3o<\/em>, me deu um trabalho de pesquisa muito maior, embora tamb\u00e9m muito prazeroso (o prazer que vem do esfor\u00e7o \u00e9 mais formativo do que aquele que vem f\u00e1cil, como no entretenimento, por exemplo). Mesmo que eu parta sempre de quest\u00f5es individuais, afinal a literatura n\u00e3o \u00e9 um discurso ensa\u00edstico sobre um tema, eu quis investigar como quest\u00f5es geopol\u00edticas podiam afetar meus dois protagonistas. Para isso, viajei at\u00e9 a Holanda, mais especificamente para a cidade de Utrecht, onde se passa metade do romance. Eu j\u00e1 havia estado l\u00e1, foi l\u00e1 que tive a ideia, mas precisei voltar, uma vez no ver\u00e3o, outra no inverno, para fazer pesquisas, caminhar, tomar notas e escrever. E precisei ler muito sobre temas como fronteiras, migra\u00e7\u00e3o, desterritorializa\u00e7\u00e3o, corpo. Tamb\u00e9m sobre a vinda de haitianos ao Brasil, islamismo, fundamentalismo e intoler\u00e2ncias de diversos tipos. Ao todo, juntei mais de seiscentas notas, que foram acrescentadas depois ao longo do romance, de forma, espero, sempre liter\u00e1ria, nunca como mero discurso informativo ou reflexivo por si s\u00f3 (o que eu chamo de \u201cserm\u00e3o de narrador\u201d). Ent\u00e3o, voltando \u00e0 pergunta, depois destas notas todas e o planejamento feito, mesmo sem a obriga\u00e7\u00e3o de segui-lo \u00e0 risca, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil come\u00e7ar. Nenhum romancista acorda um dia, liga o computador e come\u00e7a a digitar uma hist\u00f3ria sem um m\u00ednimo de planejamento anterior, nem que seja apenas mental, uma rumina\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vem se desenvolvendo h\u00e1 algum tempo. Desse modo, o pavor diante tela branca diminui, pois o escritor j\u00e1 tem material pensado e\/ou escrito. Ainda assim, a primeira frase \u00e9 sempre enigm\u00e1tica. Muitas vezes ela cont\u00e9m o germe de todo o romance e ent\u00e3o pode ter uma certa aura mistificadora. Nada demais.<\/p>\n<h5 id=\"attachment_4127\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 330px;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4127 \" src=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-mapa-e-verso%CC%83es-impressas.jpg\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-mapa-e-verso?es-impressas.jpg 300w, https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-mapa-e-verso?es-impressas-169x300.jpg 169w\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"569\"><strong><a href=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?attachment_id=1916\" rel=\"attachment wp-att-1916\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/IMG_4763.jpg\"><\/a>O mapa e as muitas vers\u00f5es impressas, revisadas, reimpressas\u2026<\/strong><\/h5>\n<p>Sobre o medo da p\u00e1gina em branco, conta-se que o pintor italiano Emilio Vedova (1919 \u2013 2006), tamb\u00e9m professor de pintura, costumava passear entre seus alunos com um balde de tintas e um pincelz\u00e3o. Quando via que o aluno estava travado diante da tela em branco, mergulhava o pincel no balde e golpeava a tela do aluno, fazendo um formato qualquer para que o aluno come\u00e7asse a partir dali. Porque, conforme diz o psicanalista italiano Massimo Recalcati (ultimamente procrastino traduzindo suas palestras de psican\u00e1lise lacaniana no YouTube), n\u00e3o temos medo da tela em branco, mas medo porque essa tela est\u00e1 preenchida com toda a imensa tradi\u00e7\u00e3o de g\u00eanios da literatura e da pintura. \u00c9 o peso deles que nos intimida, eles j\u00e1 fizeram obras-primas, quem sou eu para tentar escrever algo? Esquecendo por um momento a tradi\u00e7\u00e3o, a\u00ed podemos contar nossas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea lida com as travas da escrita, como a procrastina\u00e7\u00e3o, o medo de n\u00e3o corresponder \u00e0s expectativas e a ansiedade de trabalhar em projetos longos?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, isso acontece. De repente aparecem mil coisas que voc\u00ea, cedendo aos mecanismos da procrastina\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a julgar mais importantes. Uma compra no supermercado, um texto cuja leitura parece fundamental para a continua\u00e7\u00e3o da escrita, uns memes no Facebook, informa\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises sobre o pa\u00eds, um jogo da Champions League (sempre \u00e0 tarde aqui no Brasil). Conhecendo esses mecanismos, fica um pouco mais f\u00e1cil desviar deles. Sofro mais antes de come\u00e7ar do que durante a escrita propriamente dita. Mas a cada dia h\u00e1 um sofrimento da mesma natureza, com a mesma raiz. Prazer e pregui\u00e7a, mais do que coincidirem pelo encontro consonantal, tamb\u00e9m se encontram durante o processo de escrita. Escrever exige esfor\u00e7o; assistir a uma partida de futebol \u00e9 apenas prazer, n\u00e3o exige trabalho. No entanto, preciso me convencer com o melhor dos argumentos: o prazer depois de um bom dia de trabalho \u00e9 maior, mais consistente e duradouro do que o prazer residual que fica depois de um jogo de futebol, ou, pior, depois da culpa por ter sucumbido \u00e0 timeline de um Facebook da vida.<\/p>\n<p>Aproveitando que o futebol entrou na conversa, h\u00e1 um clich\u00ea entre jogadores e t\u00e9cnicos que, apesar de clich\u00ea, serve para a escrita sobretudo de romances. Voc\u00ea escreveu tr\u00eas p\u00e1ginas, mas sente um des\u00e2nimo vasto quando imagina que faltam mais duzentas, trezentas. O que diz o clich\u00ea futebol\u00edstico \u00e0s v\u00e9speras de come\u00e7ar um campeonato longo? \u201cPrecisamos pensar jogo a jogo, uma partida de cada vez\u201d. Isso funciona bem durante a escrita de um romance. N\u00e3o d\u00e1 para chegar na trecent\u00e9sima p\u00e1gina sem passar pela primeira, pela d\u00e9cima s\u00e9tima, quadrag\u00e9sima segunda, octog\u00e9sima quinta, ducent\u00e9sima quinquag\u00e9sima nona\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 comum que eu tenda a momentos bipolares durante um dia de trabalho. Eu, calmo e equilibrado, nessas horas tenho instantes de entusiasmo diante de algo que achei realmente bom. Em dias dif\u00edceis, a vontade \u00e9 de bater a cabe\u00e7a na parede. J\u00e1 aprendi que nenhuma das sensa\u00e7\u00f5es deve ser levada a s\u00e9rio. O neg\u00f3cio \u00e9 negar o \u00f3cio. \u00c9 trabalhar, e trabalhar muitas vezes como se estivesse em um escrit\u00f3rio de contabilidade preenchendo planilhas. \u00c9 saber que a hist\u00f3ria precisa ir para a frente, que ainda h\u00e1 todo o trabalho de revis\u00e3o minuciosa, de cortes e acr\u00e9scimos (mais cortes que acr\u00e9scimos), de pensar a estrutura macro, de perder minutos decidindo se a frase deve correr ou seria melhor fre\u00e1-la com v\u00edrgulas e pontos. De tirar palavras repetidas sem prop\u00f3sito, v\u00edcios pessoais. Do texto sujo vai nascendo um romance limpo. O campeonato se faz jogo a jogo. J\u00e1 sei que vou escrever o livro que consigo escrever, n\u00e3o necessariamente o livro que quero escrever. Depois das revis\u00f5es, quando n\u00e3o aguento mais, pe\u00e7o para dois ou tr\u00eas amigos lerem.&nbsp;<em>Vertigem do ch\u00e3o<\/em>&nbsp;tem mais de 300 p\u00e1ginas e foram necess\u00e1rias nove revis\u00f5es. Lembro-me dos alunos que tive: a maioria, ao produzir um texto, j\u00e1 come\u00e7ava a arrancar a p\u00e1gina enquanto ainda colocava o ponto final: \u201cacabei, psor\u201d. Mas acabar a primeira vers\u00e3o de um livro \u00e9 s\u00f3 uma etapa desse processo.<\/p>\n<p>Mais um ponto importante da rotina: acho que era o Hemingway quem falava: depois de um dia de trabalho, n\u00e3o esgote o que voc\u00ea tinha a dizer, deixe isso para o dia seguinte, para n\u00e3o sofrer o bloqueio do recome\u00e7o. N\u00e3o lembro de j\u00e1 ter feito isso, mas pode ser uma boa ideia.<\/p>\n<p><strong>Quantas vezes voc\u00ea revisa seus textos antes de sentir que eles est\u00e3o prontos? Voc\u00ea mostra seus trabalhos para outras pessoas antes de public\u00e1-los?<\/strong><\/p>\n<h5 id=\"attachment_4128\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 338px;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4128 size-full\" src=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-terceira-revisa%CC%83o-de-Vertigem-do-cha%CC%83o.jpg\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-terceira-revisa?o-de-Vertigem-do-cha?o.jpg 300w, https:\/\/comoeuescrevo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Cezar-Tridapalli-terceira-revisa?o-de-Vertigem-do-cha?o-225x300.jpg 225w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\"><strong><a href=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?attachment_id=1914\" rel=\"attachment wp-att-1914\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/IMG_9754.jpg\" width=\"328\" height=\"438\"><\/a>Uma das p\u00e1ginas da terceira revis\u00e3o de&nbsp;<\/strong><strong>Vertigem do ch\u00e3o, feita na cidade de Utrecht: <\/strong><strong>cortes e acr\u00e9scimos<\/strong><\/h5>\n<p>A cada romance, reviso mais. Acho que o&nbsp;<em>Pequena biografia de desejos&nbsp;<\/em>teve cerca de quatro revis\u00f5es;&nbsp;<em>O beijo de Schiller<\/em>&nbsp;passou por seis e o&nbsp;<em>Vertigem do ch\u00e3o<\/em>&nbsp;por nove. Tenho um quarto livro, cujo t\u00edtulo, ainda provis\u00f3rio, \u00e9&nbsp;<em>A funda\u00e7\u00e3o do fim do mundo<\/em>, mas desse eu terminei apenas a primeira escrita. Vamos ver quantas revis\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rias para que, a\u00ed sim, eu tenha coragem de mostr\u00e1-lo. Conhe\u00e7o autores que conseguem ir escrevendo e mostrando. Eu n\u00e3o consigo. At\u00e9 agora, o jornalista e tradutor Christian Schwartz e o escritor Paulo Venturelli s\u00e3o amigos que sempre leram meus originais. Gosto de dar a pessoas cuja literatura seja seu principal meio de vida, assim como, eventualmente, tamb\u00e9m dou a pessoas que t\u00eam outras atividades, que s\u00e3o leitores competentes, mas n\u00e3o fazem disso sua profiss\u00e3o. Olhares t\u00e9cnicos e olhares de frui\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes na avalia\u00e7\u00e3o de um livro. Contudo, devem ser pessoas que, se n\u00e3o gostarem, precisam ter abertura para falar. N\u00e3o pode haver constrangimento. Ocorrem casos curiosos, \u00e0s vezes, como o de um trecho ser criticado por um leitor e elogiado por outro. A decis\u00e3o final \u00e9 sempre do escritor.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia? Voc\u00ea escreve seus primeiros rascunhos \u00e0 m\u00e3o ou no computador?<\/strong><\/p>\n<p>As anota\u00e7\u00f5es iniciais, esparsas, de ideias surgidas do dia a dia, s\u00e3o escritas geralmente no app Google Keep, do celular, que mant\u00e9m tudo na nuvem. S\u00e3o anota\u00e7\u00f5es sem compromisso com um enredo formado. S\u00e3o frases que julgo bonitas, questionamentos sobre situa\u00e7\u00f5es cotidianas, filosofices. A partir de um certo ponto, come\u00e7o a pensar numa estrutura maior, de enredo, personagens, coisas a serem colocadas nessa grande arena de conflitos que \u00e9 a narrativa de fic\u00e7\u00e3o. Quando tenho uma ideia mais ou menos formada da trama, come\u00e7o a cont\u00e1-la a mim mesmo, por escrito, em uma cartolina. Gosto de escrever essa etapa \u00e0 m\u00e3o, gosto de rever minha letra, lembrar como ela \u00e9 \u2013 h\u00e1 quem diga que \u00e9 poss\u00edvel sacar a personalidade de uma pessoa pela forma da letra manuscrita. Se isso for verdade, devo ser um sujeito sem personalidade fixa, pois tenho letras muito diferentes umas das outras. A cartolina acaba virando um objeto gr\u00e1fico interessante para mim. As ideias esparsas que eu havia anotado no Google Keep s\u00e3o todas numeradas e ent\u00e3o eu espalho essas numera\u00e7\u00f5es ao longo do enredo que eu acabei de mapear. Por exemplo, no in\u00edcio do romance deve acontecer tal e tal coisa. A\u00ed me pergunto: quais dessas anota\u00e7\u00f5es esparsas poderiam ser usadas aqui? Ah, a anota\u00e7\u00e3o 3, depois a 34, depois a 87, depois a 235 e assim por diante. Desse modo eu tenho uma no\u00e7\u00e3o de enredo j\u00e1 com coisas que julgo legais de serem colocadas a partir das minhas anota\u00e7\u00f5es iniciais. Pode parecer meio confuso, n\u00e3o sei, mas funciona para mim. Tanto que, ao escrever a primeira vers\u00e3o do meu quarto livro, o in\u00e9dito e de t\u00edtulo provis\u00f3rio&nbsp;<em>A funda\u00e7\u00e3o do fim do mundo<\/em>, quis experimentar algo mais solto, mais \u201cvou escrevendo o que vier, sem roteiro, s\u00f3 a partir das anota\u00e7\u00f5es esparsas\u201d, e achei pior, n\u00e3o gostei da experi\u00eancia.<\/p>\n<h5 id=\"attachment_4129\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 373px;\"><strong><a href=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?attachment_id=1917\" rel=\"attachment wp-att-1917\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/IMG_4762.jpg\" width=\"363\" height=\"484\"><\/a>O mapa, anos depois, j\u00e1 bastante manuseado, <\/strong><strong>com boas viagens e milhagens<\/strong><\/h5>\n<p>Depois desse roteiro, dessa arquitetura da subjetividade, na hora de come\u00e7ar a escrever a narrativa propriamente dita, com \u201clinguagem liter\u00e1ria\u201d, a\u00ed vou direto para o computador. Tenho um desktop em casa, onde trabalho. De tempos em tempos, preciso viajar para escrever, passar um fim de semana na praia, ter um per\u00edodo maior de solid\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o. A\u00ed levo um notebook e, como salvo tudo na nuvem, n\u00e3o preciso me preocupar com backup, nem com a confus\u00e3o entre vers\u00f5es da escrita. Para o terceiro livro,&nbsp;<em>Vertigem do ch\u00e3o<\/em>, que envolveu bastante pesquisa, al\u00e9m de escrever e revisar boa parte do livro em Utrecht, usei muito pesquisas de internet e alguns livros. Havia momentos em que, al\u00e9m do editor de texto, havia mais de vinte abas abertas no browser, com pesquisa de nomes de personagens, hist\u00f3rias de imigrantes, discuss\u00f5es sobre corpo e desterritorializa\u00e7\u00e3o, mapa de cidades (comecei a escrever&nbsp;<em>Vertigem do ch\u00e3o<\/em>&nbsp;tendo estado somente um dia em Utrecht \u2013 portanto, muito do in\u00edcio era baseado em mapa de ruas, fotos etc. Depois, com a ida para l\u00e1, percorri os lugares que eu havia rascunhado, corrigindo algumas rotas, tirando personagem de determinado lugar porque eu havia escrito que dele se podia ver o rio tal, quando, na verdade, de l\u00e1 a vista era obstru\u00edda por \u00e1rvores). Ent\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o dessa cartolina em que vejo a estrutura macro do romance, o restante \u00e9 todo dependente de tecnologia, do editor de texto (talvez por costume e conhecimento dos atalhos, ainda prefiro o Word ao Pages ou a programas espec\u00edficos para escrita de fic\u00e7\u00e3o, como o Scrivener), do uso da internet em pesquisas. O editor de texto ainda me ajuda a ca\u00e7ar, por exemplo, v\u00edcios da minha escrita. Basta um command + F (ou um control + L) para eu ver, por exemplo, quantas vezes usei a palavra \u201ctamb\u00e9m\u201d, ou os pronomes seu\/sua, etc. Isso ajuda a limpar o texto, a torn\u00e1-lo menos polu\u00eddo por poeiras in\u00fateis. \u00c9 podar a \u00e1rvore para deixar mais vistoso o fruto.<\/p>\n<p><strong>De onde v\u00eam suas ideias? H\u00e1 um conjunto de h\u00e1bitos que voc\u00ea cultiva para se manter criativo?<\/strong><\/p>\n<p>Quando n\u00e3o estou escrevendo um livro, n\u00e3o me preocupo em ter ideias. Ideias n\u00f3s temos de todo jeito, no que pensamos, no que falamos, no que ouvimos (um romance, por ser polif\u00f4nico, exige um atento lugar de escuta do escritor). Ent\u00e3o as observa\u00e7\u00f5es do mundo, apropriadas pelo jeito pr\u00f3prio de v\u00ea-las, por esse filtro subjetivo, s\u00e3o ideias para a escrita. \u00c0s vezes tomo nota, \u00e0s vezes n\u00e3o. Quando estou escrevendo, esse estado de escrita n\u00e3o se restringe ao momento em que estou no computador, ele se espalha, ele ecoa ainda depois de um dia de trabalho. A\u00ed me parece que a cabe\u00e7a magnetiza detalhes da vida que sempre parecem ter rela\u00e7\u00e3o com o livro. A antena n\u00e3o se desliga com facilidade, isso \u00e9 algo muito bom. Ler livros, evidentemente, \u00e9 uma forma muito boa para ter ideias. Nada a ver com copiar ideias, mas um livro mostra situa\u00e7\u00f5es que nos fazem ter aquela suspens\u00e3o admirativa, quando, a partir do que lemos, come\u00e7amos a dar corda a outras reflex\u00f5es, pr\u00f3prias. N\u00f3s n\u00e3o apenas retiramos sentidos em um texto, mas tamb\u00e9m colocamos sentidos nele. Lavar lou\u00e7a, caminhar, ler s\u00e3o atividades que favorecem a introspec\u00e7\u00e3o, e da\u00ed surgem ideias tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea acha que mudou no seu processo de escrita ao longo dos anos? O que voc\u00ea diria a si mesmo se pudesse voltar \u00e0 escrita de seus primeiros textos?<\/strong><\/p>\n<p>Meu primeiro livro, o&nbsp;<em>Pequena biografia de desejos<\/em>, foi escrito a partir apenas de minhas leituras de literatura. Eu n\u00e3o tinha m\u00e9todo, n\u00e3o sabia de nada, foi um processo bastante intuitivo. Com mais de tr\u00eas quartos do livro escrito, meio perdido, precisei reconstru\u00ed-lo esquematicamente, fazer um mapa do territ\u00f3rio percorrido. J\u00e1 a partir do segundo,&nbsp;<em>O beijo de Schiller<\/em>, constru\u00ed o mapa antes do territ\u00f3rio, m\u00e9todo tamb\u00e9m fundamental para o terceiro,&nbsp;<em>Vertigem do ch\u00e3o<\/em>. No quarto, tentei me desprender desse planejamento (at\u00e9 hoje n\u00e3o sei se por querer correr outros riscos ou por pregui\u00e7a mesmo), mas n\u00e3o gostei. Quando vier um eventual quinto livro, pretendo fazer da mesma forma que pensei o segundo e o terceiro. Como disse, terminei a primeira escrita do quarto livro e, como n\u00e3o teve um planejamento muito grande, estou meio travado para come\u00e7ar as reescritas porque sei que h\u00e1 incongru\u00eancias chatas de serem limadas, h\u00e1 um in\u00edcio que se tornou incoerente com o rumo que a hist\u00f3ria tomou. Claro, pode ser uma limita\u00e7\u00e3o minha, deve haver escritores que v\u00e3o mantendo a linha numa boa. Mas eu escrevo sem revisar, eu escrevo como quem s\u00f3 vai lavar a lou\u00e7a suja depois do almo\u00e7o pronto, diferente de quem usa uma panela e j\u00e1 lava, usa um garfo e j\u00e1 lava. Eu preciso fazer a hist\u00f3ria andar, empurr\u00e1-la para frente a soco, pontap\u00e9, \u00e0s vezes at\u00e9 com a barriga. Tudo para ver a forma crescer. Sei que na reescrita eu vou resgatando fragilidades, cuidando delas. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que n\u00e3o h\u00e1 escritor que n\u00e3o seja leitor. O eu-escritor entra em cena at\u00e9 a primeira vers\u00e3o pronta. Depois \u00e9 o eu-leitor que conserta as besteiras do eu-escritor. Se eu n\u00e3o for um bom leitor, atento e sens\u00edvel, como vou saber se o livro est\u00e1 apresent\u00e1vel, se a frase, em vez de uma luz para a humanidade (olha a pretens\u00e3o), n\u00e3o \u00e9 apenas uma frase-feita e brega? \u00c9 um pouco aquela piada: quando voc\u00ea morre, quem fica triste s\u00e3o os outros; \u00e9 a mesma coisa quando voc\u00ea \u00e9 idiota. Ningu\u00e9m \u00e9 idiota porque quer ser idiota (seria algo muito idiota). Ningu\u00e9m escreve um livro e quer public\u00e1-lo se sabe que vai passar vergonha. Mas ent\u00e3o como saber se o livro presta? Sendo um bom leitor e tendo leitores confi\u00e1veis que ler\u00e3o o original.<\/p>\n<p><strong>Que projeto voc\u00ea gostaria de fazer, mas ainda n\u00e3o come\u00e7ou? Que livro voc\u00ea gostaria de ler e ele ainda n\u00e3o existe?<\/strong><\/p>\n<p>Eu brinco que, se eu tivesse uns tr\u00eas ou quatro anos de contas pagas (aten\u00e7\u00e3o, leitores milion\u00e1rios, mecenas das letras), gostaria de reler com vagar a obra de Rabelais, sobretudo&nbsp;<em>Gargantua et Pantagruel<\/em>, para imaginar como viveria uma hipot\u00e9tica gera\u00e7\u00e3o desses personagens que chegou aos nossos tempos. Alguns de seus descendentes viriam parar no Brasil e fariam uma bela festa. Seria uma recria\u00e7\u00e3o daquele carnaval glut\u00e3o nos dias de hoje, nos tempos das redes sociais e das fake news, das grandes corpora\u00e7\u00f5es e do fanatismo religioso, de Trumps e Bolsonaros. Mas como acho muito dif\u00edcil que eu o escreva, esse passa a ser ent\u00e3o o livro que eu gostaria de ler.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O site comoeuescrevo.com, do doutorando em Direito pela UnB Jos\u00e9 Nunes, convida escritores das \u00e1reas acad\u00eamica e liter\u00e1ria para compartilhar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1910,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[6,61],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1909"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1909"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1909\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2649,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1909\/revisions\/2649"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1910"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}