{"id":505,"date":"2011-04-26T01:59:51","date_gmt":"2011-04-26T01:59:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pequenabiografiadedesejos.com.br\/?p=505"},"modified":"2023-02-19T02:54:29","modified_gmt":"2023-02-19T02:54:29","slug":"pequena-biografia-de-desejos-por-gabriel-rachwal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=505","title":{"rendered":"&#8220;Pequena biografia de desejos&#8221;, por Gabriel Rachwal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cezar,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sexta-feira que se seguiu ao lan\u00e7amento, devorei a &#8220;Pequena biografia de desejos&#8221;. Pra mim o livro pegou num ponto que ultimamente anda incomodando bastante, mas cujo nome n\u00e3o sei bem. Aquela imagem do cadete preparado para uma batalha que nunca vem, por exemplo, me angustia um &#8220;bom&#8221; tanto. Esse imagin\u00e1rio que vai se consumindo em vida, sei l\u00e1, essa dist\u00e2ncia entre o que se vive no imagin\u00e1rio, que n\u00e3o deixa de ser uma realidade, e o se d\u00e1 num plano que envolve realiza\u00e7\u00f5es compartilhadas&#8230; N\u00e3o sei bem se consigo me explicar falando assim&#8230; Esse Desid\u00e9rio moribundo, os personagens todos, parece que eles v\u00e3o se desenrolando presos em passagens da literatura que v\u00e3o soando ao longo do texto e isso me d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de claustrofobia, como se n\u00e3o houvesse escapat\u00f3ria: o imagin\u00e1rio e sua ambiguidade, ele fica sendo mais um aprisionador do que um possibilitador de qualquer coisa em vida. Quando terminei de ler, peguei o caderno e escrevi que o seu livro era &#8220;um cortejo f\u00fanebre da inoc\u00eancia, do imagin\u00e1rio que n\u00e3o tenha p\u00e9s fincados na realidade material que o possibilita&#8221;. N\u00e3o sei se \u00e9 isso, resisti a te mandar uma resposta, talvez porque a coisa toda t\u00e1 meio selvagem dentro da minha cabe\u00e7a e com poucas consequ\u00eancias fora dela. Parece que o livro mexe com alguma parte raivosa dentro de mim, uma parte que quer brigar com a literatura e com o imagin\u00e1rio, pelo menos nos moldes como eu os vinha entendendo. Quero tentar registrar minha leitura num texto um pouco mais s\u00f3brio qualquer hora, por enquanto vai esse disparo barulhento pra voc\u00ea n\u00e3o se atordoar com o sil\u00eancio&#8230; Sabe que comecei a ler agora o &#8220;Em busca do tempo perdido&#8221; e Sr. Swann me perturba parecidamente com o que voc\u00ea faz no seu romance, no sentido de que l\u00e1 ficam pipocando refer\u00eancias que traduzem o mundo externo que ele tem diante de si para a linguagem das suas refer\u00eancias&#8230; Claro, talvez seja condi\u00e7\u00e3o inescap\u00e1vel: s\u00f3 se compreender o mundo conforme as refer\u00eancias que se tem&#8230; E aqui eu come\u00e7o a viajar em qualquer coisa parecida com alguma teoria da linguagem g\u00e1strica e com ela querer deglutir qualquer pe\u00e7a liter\u00e1ria, mas \u00e9 que o seu romance d\u00e1 brechas para isso&#8230; Desid\u00e9rio delet\u00e9rio se consome num mundo de imagin\u00e1rio borbulhante, mas imagin\u00e1rio n\u00e3o basta&#8230; Enfim, o romance \u00e9 daquelas obras que ficam quicando nas paredes da cabe\u00e7a. O imagin\u00e1rio \u00e9 um modo de criar possibilidades para a vida, mas tamb\u00e9m um c\u00e1rcere, n\u00e3o? E o teu livro lidando com uma inoc\u00eancia definhante que contamina as demais personagens, criaturas livrescas, aprisionadamente livrescas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mando logo esta mensagem para n\u00e3o desistir da linguagem, apag\u00e1-la e deix\u00e1-la pra um depois incerto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">conversemos&#8230;<\/p>\n<p>Grande abra\u00e7o,<\/p>\n<p>Gabriel Rachwal \u00e9 mestrando em estudos liter\u00e1rios (UFPR) e ator.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cezar, Na sexta-feira que se seguiu ao lan\u00e7amento, devorei a &#8220;Pequena biografia de desejos&#8221;. 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