{"id":534,"date":"2011-04-12T18:33:05","date_gmt":"2011-04-12T18:33:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pequenabiografiadedesejos.com.br\/?p=534"},"modified":"2023-02-19T02:54:44","modified_gmt":"2023-02-19T02:54:44","slug":"pequena-biografia-de-desejos-por-diego-zerwes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=534","title":{"rendered":"&#8220;Pequena biografia de desejos&#8221;, por Diego Zerwes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando algu\u00e9m l\u00ea um livro, tr\u00eas coisas prov\u00e1veis podem acontecer: devorar, ler ou abandonar. Devorar \u00e9 quando voc\u00ea \u00e9 arrebatado: dois dias s\u00e3o o suficiente pra dar cabo. Ler, simplesmente, n\u00e3o denota que o livro n\u00e3o agrada, apenas que voc\u00ea n\u00e3o foi arrebatado. Abandonar, parafraseando Paulo Sandrini, significa que as tr\u00eas primeiras p\u00e1ginas n\u00e3o agradaram. Ou, na melhor das hip\u00f3teses, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 preparado para l\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>Pequena biografia de desejos<\/em>, de Cezar Tridapalli, tr\u00eas p\u00e1ginas n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias. O primeiro par\u00e1grafo j\u00e1\u00a0\u00e9 o suficiente para saber o que \u00e9 o livro: da categoria primeira, a que arrebata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conflito que rege a trama \u00e9, basicamente, entre o mundo interno (de desejos, devaneios e sonhos) \u2013 em outras palavras, aquilo que a pessoa quer \u2013 e o externo (a rotina de uma vida movida por conven\u00e7\u00f5es: ir trabalhar sempre pelo mesmo trajeto, tirar o lixo, olhar a rua erma, a c\u00e2mera do elevador, escutar sem ouvir as mesmas hist\u00f3rias). Eis a\u00ed o mal-estar de Desid\u00e9rio. Como <a href=\"http:\/\/pequenabiografiadedesejos.com.br\/?p=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulo Venturelli fala sobre o livro<\/a>, estamos diante de um ser \u201cdividido\u201d. Preso dentro de si mesmo. Esse conflito, misturado aos desejos, cria uma esp\u00e9cie de dial\u00e9tica da exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, \u00e9 por meio do desejo tamb\u00e9m que seguimos em frente. A mola propulsora, como diz o t\u00edulo do livro, \u00e9 o desejo. E ele, querendo ou n\u00e3o, est\u00e1 sempre se movimentando, indo de objeto a objeto, pessoa a pessoa. N\u00e3o h\u00e1 uma pessoa sequer satisfeita, sem desejar. No caso de Desid\u00e9rio, isso \u00e9 not\u00e1vel. Como escritor, ele parte em busca de reconhecimento e de ser traduzido para diversas l\u00ednguas, nos seus comuns devaneios. A\u00ed o seu desejo mais forte e pelo qual luta tenazmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, portanto, a partir da dualidade caos (desejo)\u00a0<em>versus<\/em> calmaria (realidade) que sua vida ganha uma nova cor. Mesmo que essa cor n\u00e3o seja levada \u00e0s vias de fato. Isso \u00e9 resultado do prazer ao qual se entrega: a leitura. Leitura essa que traz problemas com a esposa, Mac\u00e1ria, e a vizinhan\u00e7a. Problemas que n\u00e3o se verbalizam e que, portanto, Desid\u00e9rio n\u00e3o conhece. Esse ponto ressalta as duas realidades impressas do romance: a da Curitiba perif\u00e9rica, na qual reside Desid\u00e9rio e onde os livros e a leitura n\u00e3o s\u00e3o valorizados; e a da Curitiba central, na qual ele trabalha, escreve, de onde ele consegue os livros. A Curitiba dos que leem e a dos que ignoram os livros. Nesse sentido, Desid\u00e9rio \u00e9 mais uma vez um homem \u201cdividido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que h\u00e1 de muito interessante na constru\u00e7\u00e3o narrativa de <em>Pequena Biografia de Desejos<\/em> \u00e9 o imbricamento utilizado para apresentar os personagens: uma breve biografia at\u00e9 o momento em que a hist\u00f3ria de tal personagem se cruza com a de Desid\u00e9rio. S\u00e3o hist\u00f3rias que se entrela\u00e7am e se completam. \u00c9 assim com o pr\u00f3prio protagonista com seus 15 anos de idade, com Adele, com Santiago Bettencourt, com o tio Cev\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, Cezar Tridapalli utiliza uma linguagem extremamente agrad\u00e1vel, fascinante e afiada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego Zerwes \u00e9 publicit\u00e1rio, especialista em Literatura Brasileira e Hist\u00f3ria Nacional e estudante de Letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">fonte: <a href=\"http:\/\/zerwes.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.zerwes.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando algu\u00e9m l\u00ea um livro, tr\u00eas coisas prov\u00e1veis podem acontecer: devorar, ler ou abandonar. 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