{"id":955,"date":"2013-05-09T20:29:18","date_gmt":"2013-05-09T20:29:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pequenabiografiadedesejos.com.br\/?p=955"},"modified":"2023-02-19T02:50:31","modified_gmt":"2023-02-19T02:50:31","slug":"a-diccao-peculiar-de-pequena-biografia-de-desejos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=955","title":{"rendered":"A dic\u00e7\u00e3o peculiar de &#8220;Pequena biografia de desejos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O jornal liter\u00e1rio C\u00e2ndido, editado pela Biblioteca P\u00fablica do Paran\u00e1, traz a mat\u00e9ria &#8220;Longe demais das capitais&#8221; e destaca a produ\u00e7\u00e3o do romance paranaense, colocando <em>Pequena biografia de desejos<\/em> entre as obras importantes da produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, ao lado de grandes obras e autores. Em fragmento da mat\u00e9ria: &#8220;Cezar Tridapalli, Carlos Machado, Luiz Felipe Leprevost, Otto Winck e Guido Viaro. Cinco romancistas, cada qual com a sua sensibilidade e dic\u00e7\u00e3o peculiar&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para ler a mat\u00e9ria no site do jornal, basta<\/span> <span style=\"text-decoration: underline; color: #000080;\"><a title=\"Longe demais das capitais\" href=\"http:\/\/www.candido.bpp.pr.gov.br\/modules\/conteudo\/conteudo.php?conteudo=368\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #000080; text-decoration: underline;\">clicar aqui<\/span><\/a><\/span>.<\/p>\n<pre>**<\/pre>\n<h1>Longe demais das capitais<\/h1>\n<h4 align=\"justify\">Professores universit\u00e1rios afirmam que n\u00e3o existe uma \u201cliteratura paranaense\u201d e que o reconhecimento dos romancistas que nasceram ou vivem no Paran\u00e1 ainda depende do respaldo de vozes de outros Estados<\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" alt=\"machado\" src=\"http:\/\/www.candido.bpp.pr.gov.br\/arquivos\/Image\/Edicao21\/CarlosMachado.jpeg\" width=\"200\" height=\"264\" align=\"middle\" \/><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" alt=\"tridapalli\" src=\"http:\/\/www.candido.bpp.pr.gov.br\/arquivos\/Image\/Edicao21\/CezarTridapalli.jpeg\" width=\"345\" height=\"231\" align=\"left\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 mais de dez anos, questionado a respeito de \u201ccomo estava a literatura do Paran\u00e1\u201d, o escritor curitibano Jamil Snege (1939-2003) respondeu \u2014 de maneira resumida \u2014 o seguinte: \u201cN\u00e3o existe literatura do Paran\u00e1. J\u00e1 escutou algu\u00e9m perguntando sobre a literatura paulistana ou carioca? Claro que n\u00e3o. O que existe \u00e9 literatura produzida por pessoas e algumas dessas pessoas vivem no Paran\u00e1.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">A observa\u00e7\u00e3o do Turco, como o escritor era conhecido e chamado pelos amigos, faz sentido e encontra resson\u00e2ncia hoje no professor de Literatura da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) Paulo Venturelli e tamb\u00e9m no professor de Literatura da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR) Marcelo Franz.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cEnquanto for [literatura feita] no Paran\u00e1, tudo bem. O erro estaria em [dizer literatura] do Paran\u00e1, procurando entre nossos escritores algo espec\u00edfico daqui. Nossos autores s\u00e3o brasileiros e se inserem neste contexto maior, explorando o que vale de Norte a Sul\u201d, afirma Venturelli, completando que \u201cn\u00e3o existe um romance paranaense\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Marcelo Franz diz n\u00e3o se entusiasmar com a defini\u00e7\u00e3o de um \u201ccar\u00e1ter\u201d local para a cria\u00e7\u00e3o de autores paranaenses, mas procura entender de onde isso surge. \u201cO discurso em favor de uma literatura paranaense quer salientar que a express\u00e3o art\u00edstica dos escritores do Estado seria a expans\u00e3o de um \u2018etos\u2019 paranaense, que resulta de fatores como a nossa rela\u00e7\u00e3o com o meio \u2014 o clima, a paisagem, etc. \u2014 com a constitui\u00e7\u00e3o \u00e9tnica dos paranaenses e com fatores hist\u00f3ricos ligados \u00e0 nossa coloniza\u00e7\u00e3o. Isso suscitaria e determinaria uma \u2018voz\u2019 pr\u00f3pria\u201d, argumenta o professor da PUCPR.<\/p>\n<p align=\"justify\">A conversa a respeito de uma poss\u00edvel literatura paranaense, nas palavras de Marcelo Franz, \u201csoa muito s\u00e9culo XIX\u201d. \u201cLembremos que Wilson Martins tem um livro em que define o Paran\u00e1 como \u201cum Brasil diferente\u201d, por ser um Estado constitu\u00eddo por elementos de meio, ra\u00e7a e socializa\u00e7\u00e3o que o \u2018particularizariam\u2019\u201d, completa Franz.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Subjetividades e idiossincrasias<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Venturelli afirma que no Paran\u00e1, como em outros Estados, os escritores d\u00e3o vaz\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria subjetividade, procuram caminhos pessoais para a cria\u00e7\u00e3o e, quando escrevem, t\u00eam o seu projeto est\u00e9tico pr\u00f3prio sem qualquer liga\u00e7\u00e3o com outros [autores]. \u201cIsto \u00e9 natural, porque estamos na era da subjetividade e do individualismo e o romance \u00e9 o g\u00eanero que mais se presta para expressar esta tend\u00eancia social e, como \u2018tudo\u2019 pode ser romance, cada um aqui vai procurar suas fontes e seu ancoradouro, seja baseado em sua experi\u00eancia de vida ou na imagina\u00e7\u00e3o pura e simples que, claro, n\u00e3o se descola dos processos sociais em que todos est\u00e3o inseridos\u201d, analisa.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" alt=\"grid3\" src=\"http:\/\/www.candido.bpp.pr.gov.br\/arquivos\/Image\/Edicao21\/grid3.jpg\" width=\"500\" height=\"219\" align=\"middle\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Cezar Tridapalli, Carlos Machado, Luiz Felipe Leprevost, Guido Viaro e <em>Otto Winck<\/em>. Cinco romancistas, cada qual com a sua sensibilidade e dic\u00e7\u00e3o peculiar.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">Entre as v\u00e1rias longas narrativas ficcionais escritas por autores nascidos ou residentes no Paran\u00e1, Venturelli destaca\u00a0<em>A polaquinha<\/em>\u00a0[que tamb\u00e9m pode ser lido como um conjunto de contos], de Dalton Trevisan, \u201cpelo di\u00e1logo sarc\u00e1stico e ir\u00f4nico com\u00a0<em>A moreninha<\/em>, de Joaquim Manuel de Macedo\u201d;\u00a0<em>Uma noite em Curitiba<\/em>, de Cristov\u00e3o Tezza, \u201cpela for\u00e7a do personagem que se v\u00ea envolvido nas mais inusitadas situa\u00e7\u00f5es e consegue ir abrindo um caminho a machadadas\u201d;\u00a0<em>Terra Vermelha<\/em>, do Domingos Pellegrini, \u201cpela for\u00e7a da pesquisa hist\u00f3rica\u201d,\u00a0<em>O livro do medo<\/em>, de Guido Viaro \u201cpela for\u00e7a na prospec\u00e7\u00e3o dos personagens\u201d;\u00a0<em>E se contorce igual a um drag\u00e3ozinho ferido<\/em>, de Luiz Felipe Leprevost, \u201cpela linguagem coloquial e malandra e marginal que d\u00e1 um sabor todo especial ao texto\u201d e\u00a0<em>Para que as \u00e1rvores n\u00e3o tombem de p\u00e9<\/em>, de Maria C\u00e9lia Martirani, \u201cpela imag\u00e9tica e um certo sabor niilista do discurso romanesco\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Franz acrescenta, \u00e0 lista de Venturelli, Rocha Pombo \u2014 \u201cprecursor, contempor\u00e2neo dos simbolistas, que escreveu o esquisit\u00edssimo\u00a0<em>No hosp\u00edcio no come\u00e7o do s\u00e9culo XX<\/em>\u201d, Jamil Snege, Miguel Sanches Neto, Paulo Sandrini e Paulo Leminski, com\u00a0<em>Catatau<\/em>\u00a0\u2014 o mais universal dos \u201cnossos\u201d textos romanescos. Al\u00e9m<br \/>\ndeles, outras vozes tamb\u00e9m se afirmam como romancistas, entre os quais F\u00e1bio Campana (<em>O guardador de fantasmas<\/em>\u00a0e<em>\u00a0Ai<\/em>), Otto Leopoldo Winck (<em>Jaboc<\/em>), Cezar Tridapalli (<em>Pequena biografia de desejos<\/em>), Carlos Machado (<em>Poeira fria<\/em>) e Luci Collin (<em>Com que se pode jogar<\/em>).<\/p>\n<p align=\"justify\">Escritor e rec\u00e9m-integrante da Academia Paranaense de Letras, Venturelli observa que, entre as poss\u00edveis lacunas da longa narrativa ficcional produzida por autores que nasceram e\/ou vivem no Estado, falta algu\u00e9m abordar o mundo gay. \u201cPor isto, estou me encarregando do tema\u201d, anuncia. Ele diz ter realizado pesquisa detalhada sobre a vida noturna em Curitiba, com resultados surpreendentes. \u201cDescobri uma outra cidade, um outro mundo que ningu\u00e9m quer ver ou joga para o gueto. A popula\u00e7\u00e3o\u00a0<em>gay\u00a0<\/em>em Curitiba \u00e9 imensa e tem marcas culturais\u00a0<em>sui generis<\/em>, seus locais de encontro, suas formas de namorar, seus bares, suas boates\u201d, comenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">O futuro projeto de Venturelli tem possibilidades de encontrar resson\u00e2ncia, entre outros motivos, pelo ineditismo do tema. No entanto, o professor da PUCPR diz, n\u00e3o sem algum lamento, que o conhecimento dos autores locais pelo p\u00fablico local tem dependido \u2014 e sempre dependeu \u2014 da chancela que eles recebem da \u201cintelig\u00eancia\u201d de fora do Paran\u00e1. \u201cEm geral, \u00e9 s\u00f3 quando outros centros reconhecem \u2014 com justi\u00e7a ou n\u00e3o \u2014 os nossos autores que, \u2018do nada\u2019, reparamos que s\u00e3o bons e passamos a am\u00e1-los\u201d, finaliza \u2014 e o exemplo de Cristov\u00e3o Tezza, consagrado nacionalmente com\u00a0<em>O filho eterno<\/em>\u00a0(2007), ap\u00f3s d\u00e9cadas escrevendo e publicando romances, comprova a tese de Marcelo Franz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal liter\u00e1rio C\u00e2ndido, editado pela Biblioteca P\u00fablica do Paran\u00e1, traz a mat\u00e9ria &#8220;Longe demais das capitais&#8221; e destaca a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":956,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[9,61],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/955"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=955"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/955\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2680,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/955\/revisions\/2680"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}