{"id":979,"date":"2013-06-30T13:34:47","date_gmt":"2013-06-30T13:34:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pequenabiografiadedesejos.com.br\/?p=979"},"modified":"2023-02-19T02:49:32","modified_gmt":"2023-02-19T02:49:32","slug":"jornal-relevo-estreia-coluna-de-critica-falando-de-pequena-biografia-de-desejos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/?p=979","title":{"rendered":"Jornal RelevO estreia coluna de cr\u00edtica falando de &#8220;Pequena biografia de desejos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"Captura de Tela 2013-06-30 \u00e0s 09.53.46\" src=\"https:\/\/cezartridapalli.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Captura-de-Tela-2013-06-30-\u00e0s-09.53.46-150x150.png\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"http:\/\/issuu.com\/jornalrelevo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal Relevo<\/a><\/span>, em sua edi\u00e7\u00e3o de abril de 2013, estreou sua coluna de cr\u00edtica liter\u00e1ria. E\u00a0<em>Pequena biografia de desejos<\/em> foi o livro escolhido para abrir a se\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica \u00e9 de Daniel Osiecki.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea pode ler a cr\u00edtica em seu local de origem <span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"http:\/\/issuu.com\/jornalrelevo\/docs\/relevo_-_abril_de_2013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clicando aqui<\/a><\/span>. Abaixo, a reprodu\u00e7\u00e3o integral do texto de Osiecki.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe literatura em Curitiba. Nem todo mundo sabe, mas os autores est\u00e3o a\u00ed, produzindo, trabalhando, publicando. Tudo bem que h\u00e1 uma movimenta\u00e7\u00e3o editorial ainda em embri\u00e3o (muitos curitibanos publicam por editoras do Rio, S\u00e3o Paulo, Porto Alegre), mas h\u00e1 um movimento liter\u00e1rio forte em Curitiba que n\u00e3o segue necessariamente um padr\u00e3o ou uma tend\u00eancia espec\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa parte dos escritores curitibanos escreve mas ainda n\u00e3o publica com regularidade. A maioria n\u00e3o tem contrato com editora nem v\u00ednculo formal com algum \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o. Fato interessante, por\u00e9m nada novo, \u00e9 que grande parte desses escritores ainda n\u00e3o publicados escreve poesia. H\u00e1 muitos poetas an\u00f4nimos, alguns bons, outros muito bons, outros irrelevantes, outros p\u00e9ssimos. Mas \u00e9 fato que a maioria se ocupa com a poesia. Onde est\u00e3o os contistas e romancistas da nova gera\u00e7\u00e3o curitibana? H\u00e1 vida inteligente depois de Dalton Trevisan e Crist\u00f3v\u00e3o Tezza?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, h\u00e1. E da melhor qualidade. Cezar Tridapalli, escritor curitibano nascido em 1974, publicou em 2011 o romance\u00a0<i>Pequena Biografia de desejos\u00a0<\/i>(7Letras), no qual narra as agruras e perip\u00e9cias de Desid\u00e9rio, um porteiro que nutre em segredo o desejo de tornar-se escritor. Sua busca por uma voz liter\u00e1ria pr\u00f3pria \u00e9 repleta de percal\u00e7os e fracassos que o tornam muito humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desid\u00e9rio \u00e9 um sujeito provis\u00f3rio, de passagem, ou seja, ele n\u00e3o tem bagagem liter\u00e1ria, cultural, e o desejo (a escolha do nome do protagonista n\u00e3o foi por acaso) de escrever torna-se sua maior ambi\u00e7\u00e3o, beirando a obsess\u00e3o. Durante toda sua jornada a certeza da n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de seus projetos liter\u00e1rios vai se evidenciando cada vez mais, mas ele n\u00e3o desiste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O anti-her\u00f3i de\u00a0<i>Pequena Biografia de desejos<\/i>\u00a0s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 completamente brutalizado pela rotina porque torna-se um leitor ass\u00edduo. Ing\u00eanuo, inexperiente, mas voraz. Todos os dias faz o mesmo trajeto de casa para o trabalho em dias que n\u00e3o acontece nada diferente. Desid\u00e9rio vai sofrendo uma esp\u00e9cie de emparedamento metaf\u00edsico irredut\u00edvel durante toda sua vida. Seu casamento, suas lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia quando foi abandonado pela m\u00e3e, a presen\u00e7a do pai vegetal o empurram a um abismo que parece n\u00e3o ter fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, quando de fato est\u00e1 emparedado (literalmente) na guarita do pr\u00e9dio onde trabalha, se liberta. Liberta-se atrav\u00e9s dos livros que l\u00ea e das v\u00e1rias narrativas que escreve, como um Winston Smith que, \u00e0 espreita em um canto escuro da alcova, busca seu momento de epifania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cezar Tridapalli acertou em optar pelo foco narrativo em terceira pessoa porque os movimentos de Desid\u00e9rio precisavam ser acompanhados por um narrador onisciente. Ao mesmo tempo, as costuras que Tridapalli faz entre a voz do narrador onisciente e imparcial \u00e0s narrativas de Desid\u00e9rio s\u00e3o os artif\u00edcios mais eficientes do romance. A metalinguagem \u00e9 explorada de forma consciente, na medida certa, sem tornar-se cansativa e experimental demais. Essas s\u00e3o caracter\u00edsticas caras \u00e0s est\u00e9ticas chamadas p\u00f3s-modernas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Pequena Biografia de desejos<\/i>\u00a0chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m por ser o romance de estreia de Tridapalli. Narrativa envolvente, movimentada que em momento algum cai no senso comum, no clich\u00ea p\u00f3s-moderno artificial. Cezar Tridapalli estreou na narrativa longa com um romance de peso, de gente grande. H\u00e1 muito mais a ser mostrado na terra de Trevisans, Tezzas, Buenos, Leminskis&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Daniel Osiecki<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Jornal Relevo, em sua edi\u00e7\u00e3o de abril de 2013, estreou sua coluna de cr\u00edtica liter\u00e1ria. 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